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quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pelo amor e pela morte

Título original: Dellamorte Dellamore
Ano de lançamento: 1994
País: Itália / França / Alemanha
Direção: Michele Soavi
IMDb

Elenco:
Rupert Everett - Francesco Dellamorte
François Hadji-Lazaro - Gnaghi
Anna Falchi - A garota


Sinopse:
De todos os filmes bizarros que eu já assisti, esse é o mais bizarro. Francesco Dellamorte é coveiro e zelador do cemitério de Buffalora. Ele mora no próprio cemitério com seu assistente Gnaghi, um cara que se comunica através de grunhidos.

Acontece que o cemitério é palco de um acontecimento muito muito estranho: Todo mundo que é enterrado lá, retorna 7 dias depois como morto-vivo. Francesco tenta comunicar as autoridades através de meios burocráticos, mas ninguém parece dar a mínima. Assim, ele se habitua à situação, passando a esperar que os mortos retornem 7 dias após serem enterrados para simplesmente “re-matá-los” e “re-enterrá-los” de forma um tanto fria e mecânica. Matar e enterrar zumbis se torna parte da rotina de Dellamorte, e ele o faz sem questionar.

E é nesse contexto que o cara consegue se apaixonar. A escolhida é uma viúva cujo falecido marido está sendo enterrado no cemitério. Dellamorte a vê pela primeira vez no velório do mesmo e passa a noite inteira pensando nela, acreditando que nunca mais a verá novamente.

Porém, a mulher começa a freqüentar o cemitério para trocar as flores do túmulo do marido falecido. E é nesse contexto que Dellamorte acha muito muito plausível dar em cima dela, que recusa todas as suas investidas. Para chamar a atenção da garota, ele inventa até que é formado em Biologia, mas estranhamente ela só se interessa quando Dellamorte a convida para ver o ossuário do cemitério.

A despeito das recusas iniciais, a mulher logo se vê apaixonada por Dellamorte, decidindo fazer sexo com ele em cima do túmulo do marido justamente 7 dias após seu enterro. Assim, o falecido sai do túmulo no meio do sexo dos dois e ataca a moça. Dellamorte consegue matar o zumbi, mas não salvar sua amada.

Acreditando que esta esteja morta, Dellamorte a deita num local do ossuário e espera pelo seu retorno, para que possa matá-la como faz com os outros zumbis.

O problema é que essa coisa de matar a mulher que ama, mesmo que esta seja um zumbi, parece deixar Dellamorte meio perturbado, e a partir daí o filme se transforma numa bizarrice alucinante. A garota levanta dias depois e ele a mata com um tiro numa cena que lembra mais um sonho ou alguma espécie de delírio do protagonista.

Aliás, “delírio” é a palavra de ordem aqui. Em dado momento o protagonista enlouquece de vez e começa a ter visões da morte (sim, a Dona Morte), que o diz para parar de matar os mortos porque isso é assunto dela. Se ele quiser, que mate os vivos. Isso faz muito sentido na cabeça de Dellamorte, que começa a matar pessoas inocentes sem nenhum critério de seleção ou estratégia. E não importa o que faça, ele não consegue ser punido pelos crimes. Destaque pra cena do hospital, onde ele mata duas pessoas, causando pânico no local. No meio da correria o delegado da cidade o vê com uma arma e diz algo como “Muito bem, vá em frente, se defenda!” Ninguém consegue ver em Dellamorte um assassino em potencial, e a longo prazo isso passa a incomodá-lo.

Pra complementar o quadro emocional do rapaz, ele começa a ver a amada em outras mulheres, envolvendo-se com elas em romances que terminam sempre de forma tragicômica. Quem já viu Rupert Everett lutando pela guarda do filho com Madonna em Sobrou pra você (The Next Best Thing, 2000) não imagina o cara num papel desse.

Mas Francesco Dellamorte e suas mulheres não são os únicos lunáticos da trama. O assistente Gnaghi também é um exemplo de desequilíbrio. Ele se apaixona pela filha do prefeito, mas só consegue concretizar seu amor quando a garota morre num acidente de moto e é enterrada no cemitério da cidade, voltando 7 dias depois como zumbi. Assim, Gnaghi a desenterra e leva apenas sua cabeça (que fora arrancada na ocasião do desastre) pro seu quartinho, onde passam as tardes juntos comendo e cantando. (!!!)

E apesar de coisas como “foguinhos alados” que espiam casais fazendo sexo ou um zumbi que anda de moto, o filme também consegue manter uma carga dramática e poética muito bonita e eficiente, que não destoa tanto dos elementos de comédia incluídos no enredo.

O filme é baseado numa novela de Tiziano Sclavi e dirigido por Michele Soavi, diretor italiano conhecido por outros filmes dentro do gênero, como O pássaro sangrento (Deliria, 1987) e A catedral (La chiesa, 1989), que depois de Dellamorte Dellamore já entram direto pra minha lista de “desespero pra conferir”.

Conceito: a