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quinta-feira, 26 de abril de 2007

Navio fantasma

Título original: Ghost ship
Ano de lançamento: 2002
País: EUA / Austrália
Direção: Steve Beck
IMDb
Site oficial

Elenco:
Gabriel Byrne - Capitão Sean Murphy
Julianna Margulies - Maureen Epps
Ron Eldard - Dodge
Isaiah Washington - Greer
Alex Dimitriades - Santos
Karl Urban - Munder
Desmond Harrington - Jack Ferriman
Emily Browning - Katie Harwood
Francesca Rettondini - Francesca
Bob Ruggiero - Capitão do Antonia Graza


Sinopse:
Com esse terceiro filme, a Dark Castle prova que sua linha de produção adotou a lógica do “remake-CGI-péssima-conclusão”. É impressionante como eles conseguem partir de um argumento interessante, iniciar o filme com uma tensa e agradável atmosfera de suspense, e esculhambar tudo da metade pro fim com efeitos especiais estrambólicos e situações inverossímeis.

A cena de abertura de Navio fantasma é digna de um bom representante do gênero. Em 1962, um luxuoso navio italiano intitulado Antonia Graza segue a caminho dos Estados Unidos. Entre seus passageiros figuram indivíduos dos mais variados graus de riqueza, que festejam das mais variadas formas de caretice.

Num salão, diversas pessoas dançam e bebem tranqüilamente quando um cabo de aço misteriosamente se rompe, atingindo todos de forma violentíssima e literalmente dividindo-os ao meio. O cabo é tão rápido que muitos só notam o ocorrido segundos depois, quando partes de seus corpos começam a desabar. A cena é muito bem feita e de grande impacto, criando uma boa expectativa para o que está por vir.

No âmbito contemporâneo o enredo se concentra num grupo de resgate de navios, que certo dia é abordado por um piloto da Força Aérea Canadense que se apresenta como Jack Ferriman. Jack mostra à pequena equipe fotos de um imenso navio a deriva e os questiona acerca das possibilidades de rebocá-lo.

De acordo com as leis marítimas internacionais, qualquer navio abandonado e a deriva pertence àquele que o encontrar e resgatar, bem como quaisquer objetos de valor que possam ser encontrados dentro do mesmo.

Calculando os frutos financeiros que a empreitada valeria, o grupo decide se arriscar e encontrar o navio, concordando em dividir os lucros com o piloto.

O filme não se alonga nessas cenas iniciais mornas de apresentação dos personagens regadas a piadinhas e logo a equipe chega ao navio, constatando que se trata do lendário Antonia Graza, transatlântico que desapareceu misteriosamente 40 anos antes. Este fato aumenta as expectativas dos rebocadores, que sem demora dão início ao reconhecimento da embarcação.

É aí que aos poucos se deparam com uma série de fatos estranhos. Não há no local nenhum vestígio da tripulação ou passageiros, o que porra teria acontecido com eles? Por que há buracos de bala nas paredes de uma piscina seca? O que um relógio digital que não existia em 1962 está fazendo dentro do navio?

Não bastasse isso, alguns integrantes acreditam estar sendo assombrados. Maureen Epps, única mulher a bordo, jura ter visto uma garotinha dentro do navio. Outro tripulante alega ter ouvido a belíssima voz da cantora italiana Francesca, que se apresentava no navio antes de seu desaparecimento.

Abandonar a expedição não é viável a partir do momento em que encontram diversas caixas de madeira cheias de barras de ouro. Mas isso só deixa de ser de fato uma opção quando um acidente resulta na explosão do rebocador. Dessa forma, o pequeno grupo se vê preso no Antonia Graza, e a única forma de voltar pra casa é fazer com que o mesmo funcione.

Quer dizer, a meu ver Navio fantasma tinha tudo pra ser um excelente filme. Mas em dado momento o roteiro se perde em assombrações idiotas de muito mau gosto. A menina fantasma se mostra um verdadeiro Gasparzinho, ajudando Maureen a entender o que se passa. Se tem uma coisa que estraga qualquer filme de espírito, essa coisa é fantasma bonzinho.

Também é muito irritante quando um espírito toca na mão do personagem e ele é automaticamente tragado para uma outra dimensão no passado, descobrindo tudo que aconteceu de forma visual. Ou seja, não há fatos que se encaixam, o protagonista descobre tudo numa mera visão fantasmagórica. Pra completar, somos brindados no final com um amontoado de efeitos especiais absurdos, luminosos e super exagerados.

E não que a verdade do fim seja ruim, pelo contrário. Toda a verdade que envolve o filme, não só no que diz respeito a história do Antonia Graza, mas seus motivos e as conseqüências gerais disso, é bastante interessante. O problema foi não saberem como chegar a ela. O filme termina se transformando num meia-boca fácil de esquecer, ou nas palavras de um usuário do IMDb: a nice waste of time.

Eu achava que Navio fantasma tinha sido uma história original, ao contrário dos outros dois filmes anteriores da Dark Castle, que foram refilmagens. Mas de acordo com o IMDb, trata-se de uma versão de Death ship (1980) e de fato um remake de Ghost ship (1952). Não sei exatamente o que significa ser a versão de um e o remake de outro, mas parece que Navio fantasma sugou muito dessas fontes, pois até o poster do filme é praticamente igual ao de Death ship!

Conceito: d